terça-feira, 19 de julho de 2016

Isabelia violacea (Sophronitis)





Floração julho 2016

Isabelia violacea  é uma das mais belas espécies de orquídeas brasileiras. Faz parte da subtribo Laeliinae e foi descrita em 1840 por Lindley, como Sophronitis violacea, passando para o gênero Sophronitella em 1925. Em 2001, Cássio Van den Berg e Mark W. Chase transferiram a espécie para o gênero Isabelia, sendo hoje uma das três espécies desse gênero, que abriga ainda I. pulchella (antes Neolauchaea pulchella) e I. virginalis, que originalmente era a única espécie de Isabelia.
Isabelia violacea é espécie monofoliada e apresenta de uma a três flores por inflorescência. Floresce desde o fim do outono até o meio do inverno. Ocorre do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul, avançando também para a região de Goiás, e é considerada uma das espécies de Orchidaceae que ocorrem tanto na mata atlântica quanto no cerrado.
Existe uma variedade com flores de colorido branco, e no fim dos anos 60 foi descrito um híbrido natural entre ela e Isabelia pulchella, Isabelia x pabstii (Leinig) Van den Berg & M.W.Chase.

Fonte: http://www.orquideasgauchas.net/P_desc_especie.php?cod_especie=258&especie=Isabelia%20violacea

quarta-feira, 22 de junho de 2016

22 DE JUNHO - DIA DO ORQUIDÓFILO

Parabéns à todos os apaixonados pela orquidófila e orquidologia.



Todas de minha coleção  e floridas em 2016

Neste dia 22 de junho comemoramos o dia do orquidófilo em Homenagem ao Botânico João Barbosa Rodrigues, de naturalidade polêmica, dizem que ele nasceu no Rio de Janeiro e outros em Minas Gerais, no entanto, após pesquisas realizadas não resta dúvida de que ele era CARIOCA.

Mineiro ou Carioca o que importa é conhecer um pouco de sua vida:

João Barbosa Rodrigues, nasceu  no Rio de Janeiro, 22 de junho de 1842 e faleceu em 6 de março de 1909 foi  engenheiro, naturalista e um dos maiores botanicos que o Brasil já possuiu.

Foi criado em Campanha, no estado de Minas Gerais. Retornou ao Rio de Janeiro com sua família em 1858. Primeiramente dedicou-se ao comércio, mas sempre mostrou-se interessado em ciências naturais, colecionando insetos e plantas. Tornou-se professor de desenho e especializou-se em botânica, sob a orientação de Francisco Freire Allemão.

Como engenheiro, destacou-se com a construção da igreja matriz de Alfenas, que teve sua pedra fundamental lançada a 6 de agosto de 1876, sendo inaugurada a 30 de setembro de 1883.

Esteve na Amazônia em uma missão científica do governo imperial (1872-1875). Anos mais tarde organizou e dirigiu, em Manaus, o Jardim Botânico, inaugurado em 1883 sob o patrocínio da Princesa Isabel e extinto após a Proclamação da República.

Em 1890 tornou-se diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro por 19 anos, o qual dirigiu até sua morte. Responsável pela consolidação do caráter científico da Instituição, criou o Herbário, a Biblioteca, o Museu e ampliou e organizou o Arboreto de forma sistemática.

Durante a sua gestão publicou cerca de 100 trabalhos cientificos, incursionando, além da botânica, pelas áreas de geografia, etnologia e antropologia, valendo registrar, ainda, que concedeu e editou a primeira revista cientifica da Instituição.

A análise da sua administração – dinamica, metódica e orientada para a ciência – demostra a atualidade de suas propostas. Foi seguindo a trilha aberta por João Barbosa Rodrigues que o Jardim Botânico do Rio de Janeiro ganhou conceito no mundo cientifico e é hoje, como consequencia natural desta trajetória, a referência para outros jardins botânicos brasileiros.

Classificado como monumento nacional pelo significado cultural, paisagistico e científico e inserido em área definida pela UNESCO como Reserva da Biosfera, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ocupa uma área de 137 ha, das quais 54 ha constituem o Arboreto. Tem como missão “Promover, realizar e divulgar pesquisas técnico-científicas sobre os recursos floristicos do Brasil, visando o conhecimento e a conservação da biodiversidade”, honrando a traidição iniciada por seu criador João Barbosa Rodrigues.

Publicou uma obra de vasta extensão na área de botânica,  e uma de suas mais importantes contribuições foi seus trabalhos sobre orquídeas, onde destacamos:

·         "Genera et species orchidearum novarum" (1877/1891) obra dividida em 3 volumes.

·         Iconographie des Orchidees du Bresil " (1892), obra dividida em 2 volumes.

Apesar de não haver lei Federal definindo o dia 22 de junho como o Dia Nacional do Orquidófilo, em todo o Brasil  as Federações Orquidófilas,  bem como, as Associações, Clubes ou Circulos Orquidófilos, comemoram esta data como sendo o Dia do Orquidófilo com exposições, amostras e reuniões.

A visão preservacionista que João Barbosa Rodrigues tinha sobre as orquídeas ganha papel preponderante nos dias de hoje, no que diz respeito  na conservação do meio ambiente, pois elas, as Orquídeas, não só devem, mas precisam ser consideradas como “Flag–family”, isto é, são fornecedoras de água, abrigo, sítio de nidificação e de forrageamento, fonte de nutrientes, berçario, etc... para flora e da fauna.

Comemorar o dia do Orquidófilo, não é apenas comemorar uma data. É Comemorar a Vida representada pela Beleza de uma Orquídea, e a cima de tudo comemorar a dedicação de um carioca, um Brasileiro Chamado João Barbosa Rodrigues.

fontes de pesquisas:
http://www.paisagismodigital.com.br/mobile/Blog_Ler.aspx?id=Orquid%C3%A1rio-Jo%C3%A3o-Barbosa-Rodrigues:-Um-mestre-da-Bot%C3%A2nica&in=158
http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v8s0/a06v08s0.pdf
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JoaoBaRo.html
http://www.barbosarodrigues.ufam.edu.br/
http://edmourao.atspace.com/selos12.html

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Peristea elata - Orquídea Paloma ou Flor do Espírito Santo

Imagem capturada na internet



Peristeria Elata é a flor nacional do Panamá, considerada um símbolo do país, é uma orquídea chamada Flor do Espírito Santo ou Orquídea da Pomba.
Seu nome científico é "Peristeria Elata", palavra grega que significa pombo. Recebeu este nome porque dentro de sua flor, o seu miolo tem a for ma bem delineada de uma pomba e suas pétalas são da cor marfim. floresce de julho a outubro e é uma planta terrestre, mas também é encontrada em grandes árvores nas florestas. Quando estas árvores perdem suas folhas, a orquídea aparece e quando ela alcança a sua maturidade, suas flores produzem uma fragrância muito agradável e de longa duração.

Taxonomia

Peristeria é um género botânico pertencente à família das orquídeas (Orchidaceae). Foi proposto por Hooker em Botanical Magazine 58: pl. 3116, em 1831. A espécie tipo é a Peristeria elata Hooker. O nome do gênero vem do grego peristerion, pequeno pombo, em alusão a forma de suas flores que em algo lembram essas aves.Peristeria.
Constitui-se em cerca de uma dezena de robustas espécies epífitas ou terrestres, de crescimento cespitoso, que existem daCosta Rica à floresta Amazônica, no EquadorPeruColômbiaGuianas e norte do Brasil, bem como uma espécie no sudeste brasileiro. No total seis representantes no Brasil.
Trata-se de gênero em tudo muito próximo a Lycomormium. Deste diferencia-se pela sépala dorsal de suas flores que é totalmente livre na base, e por apresentar com labelo trilobado cujo lobo mediano é mais longo que os laterais. Há ainda certa controvérsia se ainflorescência ereta ou arqueada deveria servir como diferença entre estes gêneros, mas parece ter sido critério abandonado em favor das outras diferenças florais.
As plantas em algo lembram Stanhopea, com grandes pseudobulbos ovais ou um tanto cônicos, carnosos, quando novos com Baínhasde consistência membranácea, com uma ou poucas folhas apicais grandes e vistosas, caducas, pseudopecioladas, plicadas, elíptico-lanceoladas, com nervuras espessas, subcoriáceas. A muito curta inflorescência racemosa, basal, rígida, com até flores de tamanho médio aglomeradas, simultâneas, pode ser ereta ou arqueada, mas mais freqüentemente é pendente.
As flores apresentam sépalas e pétalas iguais, côncavas, arredondadas e carnosas, conferindo um aspecto esférico às flores, as sépalas laterais algo concrescidas na base, aspétalas ligeiramente menores. O labelo distintamente dividido em duas partes, uma parte móvel, chamada epiquílio que é articulada à outra parte fixa e carnosa presa à base ou pé da coluna, chamada hipoquílio. A coluna pode apresentar pequenas asas ou aurículas, é espessa e curta, em regra com prolongamento podiforme, antera terminal biloculada contendo duas polínias cerosas sulcadas, quase diretamente presas ao viscídio.

Cultivo:
Ambiente: Quente e úmido.

Luminosidade: Gosta de meia-sombra. O ideal é cultivá-la sob telado com proteção de 50%.

Tipo de substrato: Pode-se usar uma mistura de terra, adubo orgânico, carvão vegetal e pedriscos, bem drenados.

Características: É uma planta terrestre, vigorosa, com pseudobulbos de até 15 centímetros de altura, encimados por uma folha longa de até 80 centímetros de comprimento.

Regas: Diárias em dias quentes e de dois em dois ou três em três dias nos dias frios.
Fonte:
http://sourusso.blogspot.com.br/2013/05/orquidea-pomba-ou-flor-do-espirito-santo.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peristeria_(orqu%C3%ADdea)

terça-feira, 29 de março de 2016

Cattleya labiata Rubra




Floração março/2015

Das primeiras descobertas às aventureiras viagens de exploração, as orquídeas despertaram o fascínio e a cobiça dos grandes coletores. 

No primeiro quarto do século 19, as grandes floriculturas européias começaram a enviar coletores de plantas às longínquas florestas do mundo, à procura de novas espécies tropicais e de sementes de árvores. Algumas plantas, completamente diferentes daquelas desejadas pelas floriculturas, também foram coletadas nessas expedições. Richard Pierce, um dos mais famosos coletores, por exemplo, partiu a caça de plantas, sementes, caramujos e outros objetos de estudo da história natural. 
A empresa Rollisons of Tatingfoi, na Inglaterra, foi uma das primeiras a importar orquidáceas em grande número. Porém, suas importações eram uma pequena gota, comparadas com a grande quantidade trazida para o país entre 1890 e 1900, quando a importação de 30 mil plantas de uma mesma espécie, tornou-se comum. Essas plantas eram vendidas em leilões - poucas horas após a chegada e em meio a muita agitação - primeiro na casa de leilões de Stevens, e depois no leilão de Protheroe & Morris. Os caçadores de orquídeas, que arriscavam suas vidas nessas coletas, eram considerados verdadeiros heróis e as histórias de suas aventuras eram lidas como contos. As traições e estratagemas que usavam para enganar uns aos outros fariam inveja à espionagem industrial dos nossos dias. Porém, todo esse trabalho sofreu um rápido final com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, em 1914. 

Plantas raras, informações mais raras ainda 
Embora exemplares secos de orquídeas tivessem sido remetidos a botânicos, foi somente depois da primeira parte do século 18 que uma orquídea tropical floresceu na Inglaterra. Em 1731, uma planta seca da Bletia verecunda foi enviada da ilha Providence, nas Bahamas, a Peter Collinson. Como o tubérculo ainda aparentasse ter vida, ele o plantou e presenteou um certo Sr. Wager, que a cultivou na tentativa de fazê-la florescer, obtendo sucesso. Após essa, várias tentativas foram feitas para cultivar muitos outros tipos de orquídeas, porém sem êxito, por causa das informações transmitidas pelos coletores sobre o meio ambiente do qual elas provinham, e também por causa das estufas que foram criadas de maneira incorreta para esse fim. 
Mesmo assim, alguns exemplos de êxito podem ser citados. O dr, John Forthergill, por exemplo, trouxe da China dois exemplares de orquídeas. Uma delas, o Phaius grandiflorum, floresceu na estufa de uma sobrinha sua, em Yorkshire, em 1787/1788. Após mais ou menos dez anos, mais duas orquídeas, Epidendrum cochleatum e Epidendrum fragrans, da América do Sul, floresceram no Royal Botanic Gardens, em Kew. 
Com a fundação da Horticultural Society, em 1809, a horticultura teve um grande incremento: as orquídeas deixaram de ser olhadas como meras curiosidades e passaram a ser seriamente cultivadas. Muito embora vindas dos vales quentes dos rios da América do Sul, das frias vertentes doa Andes, ou, ainda, do seco planalto mexicano, recebiam o mesmo tratamento: ao chegar, eram colocadas em "fogões" (estufas), e mergulhadas em vasos que continham uma mistura de folhas decompostas e terriço, sendo enterradas num buraco em pleno sol. Mesmo assim, sr.Joseph Banks foi bem sucedido no cultivo de orquídeas em sua casa, perto de Richmond Surrey, de 1815 a 1827. O curador do Jardim Botânico de Trinidad enviou muitas orquídeas a Kew, na Inglaterra, com instruções detalhadas para seu cultivo. Nessa época, a Horticultural Society começou a fazer experiências, sob a direção do dr. Lindley, a fim de descobrir o melhor método para o cultivo das orquídeas. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em 1830, porém não foi feita menção à ventilação e às diversas necessidades que os diferentes tipos de orquídeas têm nos seus hábitats naturais.. Os coletores realizaram meticulosas descrições desses hábitats e suas condições, que eram completamente diferentes do tratamento que lhes davam até então (vapor seco provocado pela queima de combustível sólido sob estufas hermeticamente fechadas). Jardineiros práticos entenderam o valor da ventilação e do controle de temperatura, que foram vistos e copiados. O mais notável desses jardineiros práticos foi Joseph Paxtn, que foi encarregado dos jardins do Duque de Devonshire, em Chatsworth. Essa coleção começou em 1833 e foi sempre melhorada e aumentada com a aquisição de boas variedades e a importação de espécies raras. Ele era tão entusiasmado que enviou seu próprio coletor - Gibson - às colinas Khasia, na Ásia. Depois de ter viajado pelo rio Bramaputra até Assam, Gibson comunicou que já havia coletado 50 espécies diferentes. Muitas delas eram desconhecidas dos orquidicultores europeus. O jardineiro Paxton passou a divulgar seus métodos de trabalho para benefício de outros cultivadores e, em 1834, começou a publicar o Botanic Magazine, em que relatava o progresso do cultivo dos diferentes gêneros de orquídeas, o que lhe deu muita fama. Depois de 15 anos, essa publicação teve o nome mudado para Paxton`s Flowers Gardens. John Lindley tornou-se o editor e continuou a divulgar a cultura de orquídeas. 

As aventuras dos coletores de orquídeas 
Os estabelecimentos comerciais, como as pequenas estufas de York ou as grandes empresas de Veith, Loddiges, Rollisons & Low, elaboraram novos métodos de cultura. Nessa época, os grandes estabelecimentos comerciais começaram a enviar coletores mais capazes e conscientes.Típica desse tempo é a história que se repete em algumas das viagens de Veith. Em 1840, ele enviou William Lobb, um jovem da Cornualha, como encarregado de viveiros, numa expedição de coleta à América do Sul. Ele chegou ao Rio de Janeiro e descobriu muitas espécies belíssimas de orquídeas, raras na Inglaterra. Assim, tornou-se o primeiro coletor comercial do mundo. Uma das espécies introduzidas na Inglaterra foi o Cypriopedium ( hoje, Phragmopedilum) caudatum, do Peru. Tinha grandes flores com pétalas longas marrom-avermelhadas, com 1 metro de comprimento, verde-amareladas na sua base e com sépala dorsal de cor amarelo-creme, tingida e riscada de verde. Três anos mais tarde, o irmão de Veith, Tomas, também mandou um coletor que provou ser o mais bem-sucedido dos caçadores de plantas de Veith
Naquela época, além de coletores profissionais, contratados pelas grandes empresas, também pessoas que viviam nos países em que vicejavam orquídeas procuravam as firmas e se ofereciam para trabalhar gratuitamente. Entre essas havia um certo Coronel Benson, que enviou a Veith muitas raras e novas plantas de Burma. O sr. Hugh Low, secretário colonial de Labuan, Borneo do Norte, descobriu ali muitas orquídeas desconhecidas, e o sr. G. Ure Skinner enviou a Veith e à Horticultural Society, em Londres, muitas espécies da Guatemala. Bateman, autor de Orchidaceae of Mexico and Guatemala, solicitou ajuda ao Sr.Skinner e recebeu uma resposta positiva. Logo após, trabalhou muito para trazer plantas das matas da Guatemala, transferindo-as para sua terra natal (Inglaterra). Ele pode ser considerado o introdutor de um grande número de novas e belas orquídeas na Europa, mais do que todos os coletores de outras nações. Há muitas espécies guatemaltecas com o seu nome ( Cattleya skinnerii, etc.). No final de 1870, o nome de Frederick Sander começou a aparecer freqüentemente nos círculos orquidófilos e, no fim do século, a Hause Sander veio a dominar o mundo das caçadas das orquídeas. Ele usava grande quantidade de coletores ao mesmo tempo, sendo os melhores deles Arnold, Forget e Micholitz. Muitas vezes havia homens coletando na mesma região do mundo, havendo competição não somente entre a sua empresa e as rivais, mas entre os seus próprios coletores. Suas batalhas mais ásperas foram contra Low, cujo chefe de coletores era Boxall, e contra a firma de Linden, da Bélgica, cujos principais coletores eram Claes e Bungerroth. Sander teve interesse pessoal do progresso dos seus coletores, escrevendo freqüentemente muitas cartas e avisos, instruindo-os muitas vezes a gastarem dias ou até semanas despistando, deixando informações falsas, se suspeitassem estar em vias de descobrir alguma planta boa em algum lugar. Em uma de suas cartas, Sander, tendo sido perturbado em seus negócios por Low, para sobrepujá-lo escreveu a Arnold: "Até agora tenho sido capaz de controlar Low. A partir de agora ele é alguém com quem uma luta vale a pena.... mesmo que um dia um de nós caia. A partir de agora, nós deveremos fazer tudo o que for possível para ganhar sempre. Espero que ao receber esta carta esteja a caminho de Merida e chegue lá antes de White ( coletor de Low). Isso será suficiente para que ganhemos". Em outra carta a Arnold, avisou que ouviu dizer que um "demônio" da firma Veiyh, chamado Burke, estava atrás dele. Um dos maiores trunfos de Sander foi a introdução, em 1881, da Vanda sanderiana. Ela foi descrita por Reichenback, no Gardner`s Chronicle, como a "maior novidade introduzida na Europa em muitos anos - um dia glorioso, do extremo da sépala dorsal ao extremo das laterais, a flor mede 12,5 cm. A sépala dorsal e as pétalas são de cor malva com algumas listras purpúreas; as sépalas laterais são amarelas, mescladas com tons marrom-escuro e verde. A coluna é amarelo-ouro. Algumas plantas desenvolvem cinco pêndulosao mesmo tempo. Uma delas apresentou três hastes florais com 47 flores e botões, tendo 34 abertos ao mesmo tempo, com a aparência de um grande buquê. Foi inicialmente coletada por Carl Roebelin, em Mindanao, nas Filipinas, nas mais dramáticas circunstâncias, como relata Arthue Swinson no "The Orchid King": " Na sua chegada à ilha, Roebelin ouviu rumores sobre uma bela orquídea vermelha que crescia na costa norte e que, pela sua descrição, deveria ser uma espécie se Phalenopsis. Tendo sido mal sucedida sua busca nessa costa, ele a abandonou, principalmente por ter ouvido falar de uma orquídea do tamanho de um prato que crescia nas margens de um lago no interior da ilha. Com o auxílio de um comerciante chinês como intérprete e guia, ele seguiu rio acima, para o lago, até naufragar numa tempestade, com ventos muito fortes, que transformou as águas do rio em ondas gigantescas. Foi salvo por alguns selvagens, que felizmente viviam bem com os europeus por causa da ajuda que recebiam numa guerra mantida com a tribo vizinha. Logo em seguida, ouviram-se tropas dos selvagens inimigos que se aproximavam da aldeia. Mais uma vez a sorte sorriu a Roebelin e seus salvadores ganharam a batalha, sendo alojados na cabana do chefe da tribo, sobre uma árvore. 
Nas palavras de Frederick Boyle, naquela noite pairava um rugido e uma sensação na floresta como se o dia do Juízo Final houvesse chegado: "Estrondos, gritos estridentes, barulhos de árvores que tombavam, troar de ondas gigantescas e um trovão tão forte como jamais um mortal havia ouvido, dominando tudo". Agarrando-se ao assoalho da cabana, com corpos atirados e passando por eles, varando as frágeis paredes, na escuridão, Roebelin estava no centro do pior terremoto que as Filipinas já haviam visto. Quando os tremores cessaram e o dia clareou, ele ainda estava sob o assoalho da cabana. Com as paredes aos pedaços ele viu, não o escarlate Phalenopsis que estivera procurando, mas uma das mais belas orquídeas que alguém jamais havia visto: uma glória em malva, purpúra, dourado e marrom - a Vanda sanderiana havia sido descoberta. 
Muitas histórias semelhantes podem ser contadas sobre a descoberta de várias espécies de orquídeas, com os coletores sempre mostrando coragem e intrepidez. Fosterman, um outro coletor da firma Sander, passou muitos meses em Assam, à procura do Cypripedium spicerianum, até então uma orquídea desconhecida que havia florescido pela primeira vez na coleção de uma senhora em Winbledon e que foi sensação nos salões de leilão, em Londres. Sua procura levou-o a selvas tão densas que o único meio de progredir era pelos regatos que desciam das montanhas cobertas de neve e, quando estava para desistir pela exaustão, numa curva deparou-se frente a frente com um grande número dessa espécie crescendo no topo de uma saliência rochosa sobre o riacho. Suas aventuras não terminaram aí. Ele teve que abater um tigre que estava destruindo a aldeia de onde tinham vindo os carregadores, que aceitaram levar as plantas até o rio Bramaputra. Foi tão bem sucedido, que mais tarde Sander ofereceu à venda 40 mil exemplares do Cypripedium spicerianum num só dia de leilão no Steven`s Auction Room. 
Quando era descoberta uma área na selva em que uma só espécie crescia aos milhares, e se essa orquídea pudesse ser vendida na Inglaterra, o coletor limpava a área totalmente, tanto para aumentar seus ganhos como para não dar chance aos outros coletores. As plantas eram transportadas muitas vezes por centenas de quilômetros para o porto mais próximo, a fim de serem remetidas para a Inglaterra para a distribuição entre os leiloeiros de Londres. Freqüentemente, quando chegavam ao porto, elas apodreciam lentamente ao sol, enquanto esperavam por um navio. Depois de embarcadas, eram perdidas no mar ou, ainda, antes de serem colocadas a bordo, acontecia como Roebelin (o último a tentar encontrar o Phalaenopsis escarlate) escreveu para Sander de Manila: "Uma grande desventura abateu-se sobre mim, destruindo todas as plantas que tinha!!! Que falta de sorte!!! No horroroso furacão, tudo pelos ares. Antes do terceiro dia não foi possível ver as plantas e elas estavam atiradas ao chão e as cabanas inundadas com lama e água salgada. Não restou nenhum dos 21 mil exemplares. Tudo o que eu tinha". Assim, Roebelin teve de voltar a coletar mais plantas. Outro caso é o de Micholitz que, finalmente depois de redescobrir o Dendrobium, a Phalaenopsis e o Schroederianum, viu toda a sua carga - que valia milhões de libras - ir-se em chamas quando o navio em que estava embarcado pegou fogo no porto de Macassar, nas ilhas Cebeles. A troca de telegramas entre Micholitz e Sander revela muito da indomável vontade deste. Como relatada por Swinson, Micholitz telegrafou: "Navio queimou.Que devo fazer???Micholitz". A resposta de Sander: "Volte a coletar novamente". Micholitz replicou: "Muito tardr.Estação das chuvas". Porém, Sander era indomável e respondeu: "Volte a coletar" E os Dendrobiuns foram leiloados em 16 de Outubro de 1891. 

A aventura de uma época de ouro chega ao fim 
As casas ou salas de leilão de Londres serviam como casas de divulgação de orquidofilia, onde as dezenas de plantas eram rápida e eficientemente distribuídas entre os ávidos aficionados da época. Inicialmente, a J.C Steve`s Auction Rooms manuseou o grande volume de importações de plantas, mas depois que Sander teve uma disputa com Stevens, a maior parte das importações passaram a ser feitas pela Protheroe and Morris. Eles manuseavam milhares de espécies de orquídeas durante o auge das importações e iniciaram o leiloar de híbridos depois que começou a declinar o interesse pelas espécies. Sua casa de leilão iniciou a indústria das orquídeas, que infelizmente foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial por uma bomba. Mesmo assim, a firma Protheroe, Reynolds and Easton ainda continua a leiloar orquídeas. 
A excitação gerada pela notícia de uma nova e rara espécie - Vanda sanderiana, por exemplo - era imensa e os salões ficavam repletos muito antes do início do leilão. Centenas de orquidófilos de cartola chegavam de cabriolé ou carruagens, para tentar avaliar o preço de cada planta. A gradual cessação do barulho quando um leiloeiro subia ao tablado central para iniciar a sessão em completo silêncio deve ter sido uma experiência impressionante. Por outro lado, o grande número de orquídeas que foram coletadas e perdidas soa enormemente aos ouvidos de hoje em dia, chegando a parecer brincadeira. Com a grande guerra de 1914, chegou ao fim a coleta de orquídeas em grande escala. Ela já havia declinado desde 1900 por diversas razões. Uma delas era que as selvas tinham sido tão vasculhadas à procura de novas plantas que parecia restar somente uma pequena parcela de plantas sem valor. E também com a descoberta das hibridações, cujas flores tornaram-se mais populares com sua variedade de cores, formas e tamanho. Também aqueles que despendiam enormes somas em viagens, procura e coleta, já não o estavam podendo fazer. Os anos de guerra viram o fim de muitos orquidários particulares e as firmas comerciais, sofrendo esse grande golpe, acharam que a recuperação seria dolorosa e demorada. As coleções particulares e as firmas foram reconstituídas baseando-se mais em híbridos. 

As espécies, que antes de 1914 eram muitas, foram diminuindo, e aquele dilúvio do fim do século 19 havia acabado. 

Antes que essa coleta se reiniciasse, os governos dos países que ainda possuíam orquídeas nativas impuseram restrições à coleta e à exportação de plantas vivas. 

A idade de ouro das orquídeas na Inglaterra havia chegado ao fim. 

CRÉDITOS: Revista o mundo das orquídeas (especial) 
TEXTO: Naélia Forato e Thais Caramico 
COLABORAÇÃo: Waldyr Fochi Endsfeldz 

Dados coletados e traduzidos do livro BEAUTIFUL ORCHIS, de Peter Maceenzie Black, de 1973

capturado em 29/03/2015 <http://aorquidea.com.br/forum/viewtopic.php?t=13042>

segunda-feira, 21 de março de 2016

Cattleya Suzanne Hye


Floração  2016

Cattleya Suzanne Hye é o resultado do cruzamento da Cattleya gaskelliana alba com a mossiae alba.
Cultivo em vaso de barro, substrato de cascas de pinus, bolinhas de argila expandida misturado com um pouco de esfagno (para aumentar a umidade), luminosidade moderada, adubação quinzenal com fish fértil.
Curiosamente observei que não se adaptou a adubação com osmocote, suas raízes longas ficaram queimadas, no que prejudicou a florada deste ano.
No geral é uma planta boa para quem não possue sol direto, não exige muitos cuidados especiais e considero de fácil cultivo.
As folhas são no formato de lança e sua floração pode ocorrer nos meses de abril/maio e setembro/outubro.
A respeito das duas espécies que formam este lindo híbrido, minha dica é a leitura do texto publicado por Delfina Araujo sobre as orquídeas venezuelanas, para facilitar coloco o link :
http://www.delfinadearaujo.com/on/on32/pages/catvenezu.htm

segunda-feira, 7 de março de 2016

Hadrolaelia (Laelia) alaorii,




A florzinha  da foto é uma Laelia alaorii.
Muito delicada e mimosa vale a pena possuir um exemplar.
Uma curiosidade: "os dentinhos".
Etimologia
Homenagem a "Lælia” , uma das vestais, ou ainda em homenagem ao sobrenome "Lælius", da antiga família romana à qual perteceram os imperadores: Gordiano I, Gordiano II e Gordiano III.

Características
Pequena espécie que vegeta imensas árvores em montanhas, em meio podemos dizer nuvens, necessidade de boa luminosidade e umidade. 

Curiosidades
Planta que em sua época de descoberta, causou grande sensação nos colecionadores, tornando-a uma planta de muita cobiça. 

Dados da planta

Sinônimo: Hadrolaelia alaorii, Laelia alaorii f. dietliana, Sophronitis alaorii f. dietliana
Natural: Brasil - Bahia
Clima: Intermediário porém se adapta a clima quente
Epífita – Vive sobre árvores, se adaptam em vasos.
Luminosidade: 50% sombreamento
Flor: Pequena (até 5 cm.)
Floração: Todo ano

Dicas:
Cultivada em esfagno para manter umidade constante.
Uma excelente miniatura de Laelia para ser cultivada em estufas e pequenos espaços.
Fontes:
Orquidário 4 Estações e Orquidário Imirim.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Cattleya labiata alba "Angerer"






Floração Fevereiro/2016
Foto e cultivo MGloriaM


Cattleya labiata alba ‘Angerer’
Cattleya identifica o gênero (nome genérico), labiata é a espécie (nome específico), alba diz respeito à variedade (nome varietal) e ‘Angerer’ é o nome de cultivar.
Em se tratando de definir o nome do gênero e da espécie, este assunto está resolvido há muito tempo. As plantas naturais e seus híbridos naturais e primários são batizados em Latim, de acordo com as normas da Nomenclatura Científica, que é aceita universalmente. Já com relação ao nome varietal, que se reporta a detalhes da configuração do labelo e/ou da variedade cromática da flor, este permanece criando problemas. Diferentes autores, em diferentes obras, não vinham falando a mesma linguagem.
Para formalizar a classificação da C. labiata, na perspectiva dos colecionadores, foi que um grupo de orquidófilos se reuniu, em junho de 2008, na cidade de Rio Claro, e produziu documento destinado a colocar um ponto final nessa questão. É a classificação mais simples, uniforme e democrática, posto que construída coletivamente. Tem tudo para ser adotada em âmbito nacional. O texto completo da “Carta de Rio Claro” pode ser acessado no endereço: http://www.damianus.bmd.br/CursoLabiata/capitulo10.pdf
Ali se estabelece que, quanto ao labelo, a classificação configuracional do multiformismo labelar (flores típicas e variações cromáticas) é a seguinte:
– Purpúreo, Venoso estriado, Orlado, Atro, Íntegro, Lineado, Marginado, Multiforme (sem padrão definido nos termos anteriores).
As variedades cromáticas da flor são:
– Típica, Alba, Amesiana, Semialba (semialba ardósia, solferino, cárneo (antiga amoena), rubi, ametistino, tubular e cerúleo), Ametistina, Rubra, Cerúlea, Cerulensce, Concolor, Pérola.
Fonte:http://www.orquidofilos.com/cattleya-labiata-para-que-todos-se-entendam